sábado, 9 de agosto de 2008

Vida de universitário é uma viagem.

Preparando-me para embarcar na vida universitária precisei recorrer a algumas informações preciosas que havia deixado no baú da memória há muito tempo atrás. De início a definição pela vida acadêmica me trouxe a lembrança o compromisso sistemático e o pragmatismo da vida estudantil e da disposição contemplativa mínima para absorção de novos conhecimentos.
A disponibilidade para freqüentar os bancos escolares, fazer pesquisa, trabalhos complementares, estágios, e tantos outros compromissos do alto do meu primeiro meio século de vida me fez relembrar as agruras do período de infante, há décadas passadas e da avidez pelo novo e pelo descortinamento rápido do futuro, mesmo que incerto. Como barco sem leme a singrar mares bravios me pus a remar rumo a um porto seguro ou, ao menos a uma bóia que pudesse me orientar e me renovar às esperanças.
Foi assim que cheguei até a Universidade Estácio de Sá para um exame de vestibular para o curso de graduação em Direito no ano de 2004. O vislumbrar da possibilidade de embarcar nessa nau de incertezas e curiosidades foi como contemplar uma conversão religiosa com tudo o que se faz necessário para a caminhada por um caminho radicalmente diferente e que exige postura, seriedade de propósito, além do desejo e disponibilidade para mudar o curso natural da vida em corajosa determinação de objetivos.
Algumas qualidades de primeira necessidade e imperativa atitude definiram precisamente a decisão e a determinação de embarcar na vida universitária como uma viagem sem volta, que no mínimo modificaria para sempre o meu “status quo”, e, que certamente afetaria todo o meu ser, minha maneira de pensar, de valorar, de discernir e enfrentar os desafios do presente a continuidade e o incremento deles no futuro.
Romper a inércia costumeira da vida em contraponto com o comodismo natural foi, talvez a primeira grande barreira a ser vencida. Vencer os conceitos e os pré-conceitos foi a seguir o próximo degrau da escalada universitária e dia após dia subindo a escada quebra-peito da embarcação finalmente embarquei na vida universitária em uma viagem de esperanças e expectativas sem fim.
As convicções alinhavadas e o desejo intrínseco de conquistar minha primeira graduação do terceiro grau foram fatores determinantes para a minha viagem e mesmo sofrendo solavancos e percalços próprios de uma jornada dessa estirpe, depois de vencida a expectativa expressa e em alguns casos tácita da família me vi novamente como um escolar de uniforme e pasta de cadernos de dia em dia no horário aprazado chegando à Universidade, me dirigindo à sala de aula disfarçando a ansiedade natural de um graduando, ainda que meio fora do contexto temporal.
Jovens por toda parte, alguns ainda imberbes e outros tantos mal saídos da adolescência que também não disfarçavam a curiosidade de saber o porquê um aluno na minha idade ainda pensava em advogar, fazer concurso público ou, talvez pensassem eles o que pretendem estes senhores a esta altura do campeonato, com a partida definida, o jogo ganho, a maioria dos meus pares já tinham vida conjugal e profissional definidas, estabilidade financeira e etc., o que estariam fazendo, ao invés de ver televisão ler um livro qualquer e aproveitar o merecido descanso que a idade lhes confere?
A seriedade, o desejo de mudar e a determinação, que são coisas formidáveis, faziam fervilhar o burburinho intelectual e empurrava-me cada vez mais rumo à viagem estudantil universitária. E, ainda que me parecessem crucial e espinhosa a vida universitária ela por si só me encantava e me fazia sentir gana de descobrir o mistério da ciência do direito e explorar seus ditames, quem sabe até expandir seus limites reinventando a justiça e fazendo talvez, quem sabe, a correção de todos os erros que conhecemos.
A possibilidade de explorar os conhecimentos no ramo que afeta a todos os seres humanos e a própria vida planetária me fez entender que a vida universitária seria uma viagem de conquistas e não apenas o cumprimento frio e acadêmico de uma vocação profissional. Decorre daí a transcendência da profissão de fé e o credo universitário de que todas as coisas são possíveis aos que sabem viver e estão em sintonia com a ciência em toda sua abrangência, coroando os desejos e a mente fértil com idéias profundas e ricas percepções que ao longo da viagem se tornaram crenças indestrutíveis de que se pode construir a verdade e assegurar o direito ao contraditório em todos os segmentos da vida humana no planeta terra.
A frase “vida de universitário é uma viagem”, está para a religião no mesmo patamar de possibilidades e fundamentos, isto é, tudo é uma questão de fé. Ou seja, é uma trama de idéias e conceitos profundos que alimentam ricas percepções, que ao longo do seu curso vão ampliando as possibilidades, mitigando dogmas e tecendo novos desafios, onde o inusitado torna-se utópico e esse, com o passar dos dias exeqüíveis; a despeito de sua complexidade.
A universidade é uma fonte de ideais supremos que dignificam os mais exigentes padrões do mundo civilizado, entre eles o sistema de jurisprudência; a estatura da Ética e do Moral, a noção do certo e a indubitável execração do torpe, idéias e instituições se confundem nessa analogia, onde nenhuma, nem outra são menos importantes, principalmente quando se trata de conglomerados públicos que afetam a vida planetária e a todos nós.
Mas do que uma viagem a vida universitária é a possibilidade de um descortinar da visão de mundo, onde o domínio e a cultura de cada povo devem e podem ser respeitados sem que ninguém tenha que ser privado de sua liberdade e nem colocar em risco a vida e a integridade física, muito menos ter cerceado o seu direito de pensar, falar, ir e vir, e, acima de tudo, ter uma lavra na fronte a cada novo dia que desponta no horizonte.
A vida de universitário é uma viagem de possibilidades ilimitadas e ricas, é mais que fazer uma declaração de fé e confiança no amanhã. Pois, ela possibilita sonhar o sonho dos destemidos e refletir brava e afetuosamente sobre o novo ordenamento mundial dentro de uma visão holística, e ao mesmo tempo, realista. A grandeza do homem quando se depreende do seu egoísmo visceral e se coloca na dimensão do conhecimento pode agigantar-se tornando sua convicção inabalável, fazendo-o compreender que dias melhores virão com fé em Deus. Esta é a viagem da minha vida de universitário.
- Eis aí a minha verdade!

José Alencar Lopes
– Faculdades Mauricio de Nassau – Recife/PE
Data de nascimento: 18/03/1954

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